Por que migrei do Windows para o Linux

Na postagem anterior contei como iniciei a usar computador e como fui aos poucos aderindo ao software livre. Agora, vou falar um pouco dos motivos que me fizeram abandonar de vez o Windows e me me tornar um usuário permanente do Linux, mas especificamente do Ubuntu.

1. Os problemas do Windows como features default

Num cenário onde o Windows reinava absoluto, para o usuário comum não havia expectativas de mudanças. Desde cedo nos acostumamos a conviver com travamentos, telas azuis, lentidão, desfragmentação, vírus, e tantos outros inconvenientes de modo que víamos tudo isso como um conjunto de características indissociáveis do próprio sistema operacional, como sendo algo “normal”.

Afinal, não havia muito o que fazer além de poder xingar o Windows quase como uma obrigação cotidiana. E isso parecia ser uma unanimidade entre todos os usuários, um ponto em comum com o qual todos compartilhavam.

Somando-se aos problemas citados (lentidão e travamentos constantes, etc), que estavam se tornando insuportáveis mesmo eu fazendo todos os procedimentos recomendados para a manutenção regular do sistema, outros de natureza menos óbvia começaram a mostrar suas garras…

2. Softwares proprietários

Uma das maiores decepções que alguém pode ter nesse meio tecnológico é salvar seus arquivos depois de tanto trabalho e simplesmente não poder acessá-los, como se não mais fossem seus. Decepção maior que essa só quando você perde o HD com tudo que havia nele sem ter backup em nenhum outro lugar.

a) O CorelDraw, acho que foi (ainda é?) um dos mais notórios geradores de dores de cabeça, quando os arquivos não abriam em versões anteriores do programa. Por mais que você já tivesse passado por essa situação antes, sempre acabava esquecendo de salvar também uma cópia nas versões anteriores ou mais comumente, acabava recebendo arquivos de terceiros que não abriam na sua máquina. Sem falar em outros problemas inerentes ao programa que, do nada, corrompia os próprios arquivos gerados fazendo você perder trabalhos prontos.

b) O Photo-Paint foi outro que me gerou imensos aborrecimentos até hoje com seus srquivos .cpt, não por acaso, também da Corel. No início, criar e editar minhas imagens no Photo-Paint pareceu ser uma boa ideia por manter tudo interligado na Suíte Corel. Mas a vantagem acabava aí. Só mais tarde me dei conta do tremendo erro que foi confiar meus projetos num formato de arquivo que nenhum outro programa abria. Ainda hoje possuo um monte de arquivos que permanecem a espera de uma conversão para um formato aberto.

c) O Flash, da extinta Macromedia e posteriormente comprado pela Adobe, também tinha arquivos que não abriam nas versões anteriores ou simplesmente perdiam a compatibilidade da codificação que você havia feito com o ActionScript. Esse software também foi o que me segurou por muito mais tempo do que eu desejava no Windows, pois eu precisava dar suporte aos meus clientes para os trabalhos que eu havia criado.

Já o ActionScript, linguagem de programação interna do Flash, foi um caso à parte por si só. Eu havia investido em livros (bem caros, por sinal) para aprender a criar sites e aplicativos mais sofisticados (naquela época quase tudo na internet estava sendo feito em Flash), quando do nada, a Macromedia atualizou o ActionScript praticamente criando uma nova linguagem de uma versão para outra.

Senti-me pendendo grande parte do meu investimento, voltando ao ponto zero, especialmente porque eu estava tendo meu primeiro contato com uma linguagem de programação.

A partir daí percebi que acompanhar o ritmo de mudanças dessas empresas exigia um dispendioso investimento em tempo, principalmente desperdiçado em reaprendizagem e isso simplesmente não era para mim. Aliás, não deveria ser para mais ninguém.

d) Office – Outra dor de cabeça foi quando a Microsoft adotou o formato .docx para seus arquivos e tornou-os inacessível com a versão anterior do Word. Nem vou entrar em detalhes nos inconvenientes que isso rendeu para muita gente.

Buscando alternativas

Depois de tantos transtornos com arquivos de softwares proprietários, ficou claro que eu deveria dar prioridade em manter meus arquivos salvos em padrões abertos como o .odt, para documentos de texto, e .svg para arte vetorial. E mesmo o formato .xcf do Gimp não seria mais um problema uma vez que o fato do programa estar sempre disponível para ser baixado gratuitamente e poder executá-lo a qualquer momento em qualquer plataforma, inclusive a partir de um pendrive, já garantiria o acesso às imagens sem maiores dificuldades.

E se eu tivesse que voltar a estudar programação, já estava decidido que seria uma linguagem livre como PHP ou Python.

Além do problema dos arquivos que se tornavam constantemente inacessíveis com outras versões dos próprios programas, soma-se a isso o fato de que naquela época, era comum para mim ir nas empresas acertar pessoalmente com os clientes detalhes dos trabalhos e se necessário fazer modificações ali, na hora, durante a reunião.

Usando a Suíte Corel, muitas vezes não havia como editar esses arquivos naquele momento simplesmente porque o cliente não tinha nenhum desses programas instalados em suas máquinas. Usando o Gimp e o Inkscape em versões portables resolvi problemas específicos como estes.

Conclusão

Apesar de eu ter resolvido o problema dos arquivos proprietários ainda na plataforma Windows ao adotar o Gimp,  o Inkscape e o BrOffice, entre outros, os problemas nativos do sistema operacional continuavam cada vez piores e para estes a única solução possível estava fora do universo da Microsoft, no caso, o Linux.

Depois de tantos anos de aborrecimentos usando o Windows, o sentimento que a Microsoft me deixou foi de uma profunda antipatia e desconfiança para com esse sistema. E só.

Então, se você está cogitando fazer uma migração de sistema operacional, procure entender sua real necessidade de mudança e busque antes de tudo conhecer a distribuição Linux que pretende usar, isso aumentará suas chances de ter uma experiência mais positiva e assertiva, sem falsas expectativas.

Agora, se você realmente gosta do Windows, depende de programas específico como por exemplo os da Adobe, o Zbrush ou o Painter (que não têm versões para Linux), é compreensível que não tenha motivos para migrar, o que não quer dizer que não possa dar uma chance ao pinguim por outros motivos, nem que seja por curiosidade.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *